Auxílios alimentação e moradia. UNEMAT-Campus Jane Vanini – Cáceres. 2024/1.

Raquel Mendes*

Sexta-feira – 19.04.2024. Período matutino. O compromisso do trabalho era participar como coordenadora de uma banca de entrevista para concessão de auxílios alimentação e moradia para estudantes em situação de vulnerabilidade social da UNEMAT – Campus Jane Vanini – Cáceres, juntamente com outras duas representantes da comunidade acadêmica, sendo uma docente e a outra, discente.

Já tinha participado desse tipo de seleção outras vezes há alguns anos atrás. Sempre evitando participar novamente. Dessa vez, para colaborar com as colegas que estavam à frente da organização, topei. Pois é muito difícil conseguir pessoas que tenham interesse e/ou disponibilidade de participar.

Anos atrás e na atualidade, o dilema que fica para quem participa dessa seleção ainda permanece o mesmo: o que fazemos com as dificuldades de vida enfrentadas pelos acadêmicos de forma geral?

Quase unanimemente se queixaram da falta de transporte público, ausência de iluminação pública no trajeto que fazem para chegar à Universidade, bem como na Cidade Universitária. Da falta de uma estrutura mínima e adequada para que filhos de estudantes (na grande maioria – se não a totalidade, mulheres) fiquem enquanto estudam, dificuldades financeiras, pedagógicas, psicológicas, acesso a bibliotecas públicas nos finais de semana – quando a classe trabalhadora tem disponibilidade para dedicar à realização das atividades acadêmicas; da diferença no tratamento pelos munícipios vizinhos para dar condições para os estudantes chegarem a Cáceres para cursar o ensino superior.

A quem compete solucionar essas demandas é o que menos sabem os estudantes em situação de vulnerabilidade. Desconhecem direitos já assegurados na normatização acadêmica como o Regime Domiciliar, e colocam a própria vida em risco para não perder a chance de realizar o sonho de ter um curso superior.

Mãe solo que atravessa a cidade de bicicleta para deixar o bebê com pessoa da sua rede de apoio para depois cruzar a cidade de volta para assistir as aulas em tempo integral. E depois, tudo de novo para buscar o bebê de volta que ainda amamenta. O pai, ajuda. Como pode. Tem os afazeres dele. Esse é apenas um dos relatos que não sai da minha cabeça.

O recomendável é que essa tarefa, fosse / seja cumprida por profissional da área de assistência social, como é realizado nas demais universidades. Pois, além da falta de preparo técnico de quem se disponibiliza a ajudar, o sentimento de impotência durante e após as entrevistas é o que predomina entre quem colaborou.

Contudo, se essa é uma demanda existente que persiste e não acabará tão cedo, é de extrema urgência que seja feita essa reparação. No sentido de destinar profissionais habilitados para planejar e executar a ação, em respeito a todos os envolvidos, evitando constrangimentos para quem entrevista e também para quem se submete ao processo de seleção.

*Profissional Técnica da Educação Superior – UNEMAT.

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